ao observar a lógica da paranóia, pude ver por que certos arquétipos do inimigo são necessariamente recorrentes, não importasse quais fossem as circunstâncias históricas. Mas o que mais me preocupava era a vizinha ao lado a comer calmamente uma salada de cactos, espinhos... enquanto sua filha era brutalmente estuprada por um bando a brincar de novela de rádio. a paranóia envolvia um complexo de mecanismos mentais, emocionais e sociais; através dele reivindicava para si retidão e pureza, e atribuindo hostilidade e mal ao inimigo. fora isso e outras coisas de somenos importância como o suicídio de um fascista e a nomeação de um general a noite prosseguia absolutamente imperturbável arrastando a lua hermética e as estrelas em ânsia.
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